Porto de Tubarão completa 50 anos com histórias de poluição em Vitória

26/04/2016No Comments

Porto de Tubarão completou 50 anos de existência, em Vitória, na capital do Espírito Santo. Desde a inauguração, no dia 1 de abril de 1966, são muitas as histórias de poluição. Com o progresso econômico, o porto trouxe o incômodo com o pó preto e o passivo do minério, constantes nas reclamações dos moradores da Grande Vitória.

Para relembrar a história do Complexo de Tubarão, o G1 fez um resgate histórico, buscou depoimentos em recortes do jornal A Gazeta do passado e do presente, e conversou com um grupo de ambientalistas que luta contra a poluição que atinge a região Metropolitana.

De acordo com a Vale, empresa que administra o Complexo de Tubarão, o espaço reúne atualmente oito usinas de pelotização, operações portuárias para o embarque de minério de ferro, pelotas, produtos agrícolas e o desembarque de carvão.

História
A construção do porto começou quando a Vale ainda era Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), antes da privatização da estatal. A construção começou na década de 60 e foi inaugurada no dia 1 de abril de 1966.

No jornal A Gazeta do dia 2 de abril, a manchete era: “Castelo Branco inaugurou Tubarão sem falar”. O presidente da Vale na época, Oscar de Oliveira, falou sobre as finalidades da obras e o que representava para o desenvolvimento econômico do Espírito Santo.

Porto de Tubarão é responsável pela maior movimentação de minério de ferro, no mundo (Foto: Arquivo/ A Gazeta)Porto de Tubarão é responsável pela maior movimentação de minério, no mundo (Foto: Arquivo/ A Gazeta)

Porto de Tubarão completou 50 anos de existência, em Vitória, na capital do Espírito Santo. Desde a inauguração, no dia 1 de abril de 1966, são muitas as histórias de poluição. Com o progresso econômico, o porto trouxe o incômodo com o pó preto e o passivo do minério, constantes nas reclamações dos moradores da Grande Vitória.

Para relembrar a história do Complexo de Tubarão, o G1 fez um resgate histórico, buscou depoimentos em recortes do jornal A Gazeta do passado e do presente, e conversou com um grupo de ambientalistas que luta contra a poluição que atinge a região Metropolitana.

De acordo com a Vale, empresa que administra o Complexo de Tubarão, o espaço reúne atualmente oito usinas de pelotização, operações portuárias para o embarque de minério de ferro, pelotas, produtos agrícolas e o desembarque de carvão.

História
A construção do porto começou quando a Vale ainda era Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), antes da privatização da estatal. A construção começou na década de 60 e foi inaugurada no dia 1 de abril de 1966.

No jornal A Gazeta do dia 2 de abril, a manchete era: “Castelo Branco inaugurou Tubarão sem falar”. O presidente da Vale na época, Oscar de Oliveira, falou sobre as finalidades da obras e o que representava para o desenvolvimento econômico do Espírito Santo.

Castelo inaugurou porto sem falar - recorte do jornal A Gazeta de 1966 (Foto: Reprodução/ A Gazeta)
Castelo inaugurou porto sem falar – recorte do jornal A Gazeta de 1966 (Foto: Reprodução/ A Gazeta)

O presidente do Brasil na ocasião, Marechal Castelo Branco, apenas apertou um botão que colocou a máquina em funcionamento. Segundo o jornal, a inauguração de Tubarão reuniu o maior número de autoridades federais já vistas no estado.

Entre eles: o Presidente da República, o ministro das Minas e Energias, o ministro da Marinha, o ministro de Viação e Obras Públicas, o governador de Minas Gerais, o chefe da Casa Militar da Presidência da República, embaixadores de diversos países e brigadeiros.

Na época, a preocupação com o meio ambiente era pouco expressiva para as grandes empresas. Quando foi inaugurado, e até meados dos anos 80, a CVRD jogava o resíduo do minério do mar, além da poluição do ar. Anos depois da sua operação no Espírito Santo que a empresa passou a se preocupar com os malefícios ao meio ambiente e à saúde da população.

Poluição histórica
O engenheiro ambiental e membro da Associação dos Amigos da Praia de Camburi (AAPC), Paulo Pedrosa, contou que, desde jovem, na década de 70, viu a poluição na Grande Vitória.

“Desde sempre quando passava perto, via a poluição. Quando a Vale só operava com duas usinas, na Mata da Praia, onde eu morava, os vidros já brilhavam. A gente vivia com os vidros fechados em 1970. Você via aquele melado de metal brilhando”, disse.

Pedrosa também explicou que o resíduo de minério que era jogado do mar continua em Camburi. “Em 1980, eles mudaram o processo e pararam de jogar diretamente. Isso não quer dizer que hoje ainda não caia, mas é corrigido quando acontece. Mas todo o material, de 1966 a 1980, continua lá”.

Segundo o ambientalista, existem alternativas para a retirada do resíduo mas que ainda não foram implementadas pela Vale, atual responsável pelo Porto de Tubarão. “A gente quer que o passivo da Praia de Camburi seja retirado. A gente quer que a coisa seja feita de verdade”, afirmou.

Os ambientalistas tinham encerrado as conversas com a Vale em 2011, quando não conseguiram avançar as negociações.

“Agora, em 2016, mudou a diretoria da empresa e nos convidaram para conversar sobe o assunto. Os novos diretores mostraram interesse em resolver os problemas ambientais. Em países sérios, a Vale já teria sido fechada, e eles sabem disso. Uma hora vai atrapalhar o serviço deles”, pontuou.

Pedrosa e os outros membros da AAPC apresentaram aos gestores da Vale os estudos que fizeram para a retirada do passivo da Praia de Camburi. “A gente realizou uma série de estudos no local, passamos todo o aparato ambiental. Agora, depende da empresa tentar resolver isso. Até que seja resolvido vamos continuar batendo”, completou.

Praia de Camburi
Em 1988, o satélite Spot-L detectou, juntamente com técnicos do Rio de Janeiro, a existência de uma grande quantidade de ferro na Praia de Camburi, principalmente no final da orla. Na época, a CVRD afirmou que desde junho de 1987 não lançava qualquer resíduo sólido de minério no mar e que o minério nas areias era resultado de épocas anteriores.

Apesar dessa afirmação, a situação não era diferente em 2015. Mais de 20 anos depois, o pó preto vindo do Porto de Tubarão continua deixando a areia escura em Vitória. Leia matéria completa em G1 ES

 

 

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