Crise no transporte rodoviário leva mais de 30 empresas pedirem recuperação judicial em MT

06/10/2015No Comments

O ano de 2015 está sendo de dificuldades para o setor do transporte rodoviário mato-grossense e brasileiro. Desde janeiro mais de 30 empresas do ramo do transporte de cargas entraram na Justiça com pedidos de recuperação judicial em Mato Grosso. O segmento atribui à situação vivia ao governo federal que vem elevando as taxas de juros e os aumentos de preço no óleo diesel, por exemplo.

Foto: Lucas Ninno/GCom-MT (Reprodução)

Foto: Lucas Ninno/GCom-MT (Reprodução)

Entre fevereiro e abril, duas greves dos caminhoneiros foram realizadas em Mato Grosso e alguns estados do Brasil. Na primeira paralisação, que iniciou após o Carnaval e durou até a segunda semana de março, diversos quilômetros de caminhões parados foram registrados em Mato Grosso, vindo a faltar alimentos, gás, água mineral e combustível em alguns municípios.

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Diversas reuniões com o governo federal na época foram realizadas, porém, segundo a categoria nada foi cumprido, nem mesmo a isenção de PIS/Cofins sobre o óleo diesel, que chegou a ser aprovada pela Câmara Federal e o Senado e posteriormente vetada pela presidente Dilma Rousseff. O veto, inclusive, foi mantido no último dia 22 de setembro pelos deputados federais e senadores.

Em 2015, de janeiro a setembro, o óleo diesel já subiu 14,17% somente nas distribuidoras.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado de Mato Grosso (Sindmat), Eleus Vieira de Amorim, as dificuldades do setor de transporte rodoviários de cargas a cada dia se agravam e “o setor vive, hoje, uma crise sem fim”, tanto que mais de 30 empresas do ramo já solicitaram na Justiça recuperação judicial. Algumas transportadores possuem sozinhas dívidas que somam mais de R$ 8,4 milhões, como o Olhar Jurídico revelou recentemente.

Confira entrevista do presidente do Sindmat ao Agro Olhar:

Agro Olhar – No início deste ano tivemos duas paralisações dos caminhoneiros, sendo uma entre fevereiro e março e outra em abril. Como está trabalhando hoje o setor do transporte de cargas?

Eleus Vieira de Amorim – O setor vive, hoje, uma crise sem fim. O governo federal através de toda a sua carga tributária e aumento de impostos ele tem feito com que o setor venha a se afundar cada vez mais. O número de recuperações judiciais a cada dia aumenta. Nos últimos três a quatro meses temos informações de mais de 30 transportadores que entraram com pedidos de recuperação judicial. Isso significa o quê? Que o setor está em crise.

Agro Olhar – Essas recuperações judiciais são de empresas de pequeno, médio ou grande porte?

Eleus Vieira de Amorim – O setor do transporte é formado por uma cadeia de segmentos. São carga fracionada, transporte de grãos, transporte de combustível, carga frigorificada e carga viva. Esses segmentos todos entraram em crise por completo. Não existe um que se possa falar que esteja bem. Todos estão em crise.

Agro Olhar – A crise que o setor vive em 2015 é decorrente a estas questões do governo federal, com aumento de tributos, aumento de combustível, reduções passadas do IPI para caminhões e Finame e hoje o transportador não está conseguindo pagar suas despesas?

Eleus Vieira de Amorim – Na realidade o Brasil hoje em matéria de tributos está sobrecarregado. O segmento do transporte rodoviário ele é o líder no Mundo. Hoje, em nenhum país há uma carga tributária maior que a do Brasil para o setor do transporte. A questão do Finame foi mais uma questão eleitoreira. Na época a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula fizeram aquela maravilha que era o quê: financiamento subsidiado, juro de Finame lá em baixo. Isso acarretou um grande volume de veículos na praça e deu no que deu hoje. Os bancos tomando, os autônomos perdendo seus bens, muitas empresas que não tinham cálculo de frete e não tinham uma lógica de calcular se endividaram. Hoje, com excesso de veículos no mercado deu a crise que deu. A culpa disso tudo simplesmente é do governo.

Agro Olhar – E os fretes como estão hoje?

Eleus Vieira de Amorim – O frete hoje, principalmente no setor de grãos, ele é de livre mercado. Então, é pela lei da oferta e da procura. Mais caminhões na praça automaticamente o frete diminui. Falou caminhão o frete aumenta. Esse é um segmento (grãos) que tem esse tipo de procura. Já os outros segmentos possuem uma pontuação de se tentar repassar alguma coisa. Então, hoje tem essa diferenciação.

Agro Olhar – Que impactos que estas empresas que estão em recuperação judicial podem trazer para Mato Grosso, que é grande produtor de grãos, caso não consigam se recuperar e vir a fechar?

Eleus Vieira de Amorim – Os impactos são muito grandes. Na realidade o grande parceiro do produtor, do industrial, de todos os segmentos é o transportador. Nós somos o elo principal de tudo aquilo que se produz. Uma recuperação judicial de uma grande empresa ou de várias empresas isso acaba impactando depois em toda a cadeia logística. Isso sim é um mau muito grande. Nós temos falado muito que não é bom para o estado, não é bom para toda a cadeia produtiva que o setor do transporte entre em parafuso. Leia matéria original em Agro Olhar

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