Agronegócio prefere ferrovia de Miritituba à Transoceânica

09/06/2015One Comment

Brasília - O governo pode até estar alinhado com os chineses sobre a necessidade de se construir uma ferrovia que corte o Mato Grosso e avance até a Ferrovia Norte-Sul, criando uma nova rota de escoamento de grãos para o País. O traçado previsto, no entanto, está longe das soluções logísticas que os produtores da região de fato esperam.

O trecho que realmente passou a ser prioridade para o produtor é a ferrovia que liga Sinop (MT) a Miritituba, no Pará. O novo traçado foi incluído no pacote de concessões que será detalhado nesta terça-feira, 9, a pedido do próprio setor produtivo.

Em vez de cortar o Mato Grosso de leste a oeste, ligando a região de Lucas do Rio Verde até Campinorte, em Goiás, onde se conectaria à Ferrovia Norte-Sul, o novo projeto correria paralelo à rodovia BR-163, que já foi concedida à iniciativa privada até Sinop. A partir desse ponto, portanto, a nova ferrovia subiria cerca de 1 mil km rumo ao Pará, até chegar a Miritituba, onde diversas tradings de grãos já erguem um novo complexo para o escoamento de grãos.

Essa rota é bem mais interessante para o produtor porque, a partir do Pará, é possível acessar a hidrovia do Rio Tapajós e, assim, se conectar ao Amazonas. “Na prática, isso significaria menos custo”, diz o senador Blairo Maggi (PR-MT), um dos principais interlocutores do agronegócio no País.

A questão é que esse novo traçado praticamente inviabiliza a ligação acertada com os chineses, entre Lucas do Rio Verde e Campinorte, traçado que faz parte da alardeada “Ferrovia Transoceânica”, que ligaria os extremos do Brasil e do Peru. “Não faz sentido pensar em duas ferrovias na região”, comenta Maggi.

Os produtores até chegaram a calcular o preço do escoamento de grãos pelo vizinho latino-americano. Segundo Maggi, concluiu-se que cada tonelada de carga que saísse por trilhos de Lucas de Lucas do Rio Verde com destino aos portos do Peru ficaria US$ 40 mais cara que aquela destinada aos portos de Santos ou Paranaguá.

“Quando comparamos todas as alternativas, não há dúvidas de que o traçado de Sinop a Miritituba é a melhor alternativa”, comentou Maggi. Fonte: Folha Vitória

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1 comment Para “Agronegócio prefere ferrovia de Miritituba à Transoceânica”

  1. Luiz Carlos Leoni | 26/06/2015 | Permalink Responder

    Relembrando alguns episódios de conflitos com países da América do Sul, além da dificuldade desta ferrovia Transoceânica transpor a Cordilheira dos Andes, algo que nem a Argentina e o Chile conseguiram para interligar suas ferrovias.

    Por ocasião da construção da usina hidroelétrica de Itaipu o Brasil durante o regime militar, o Brasil financiou 100% da obra, e o pagamento do financiamento seria com a conta da energia elétrica excedente que o Paraguai não consumiria e venderia ao Brasil, porém durante o governo Lula o custo da energia vendida triplicou, pois se quebrou o acordo, semelhante ao que aconteceu com relação à Bolívia, na qual a Petrobras investiu pesadamente na recuperação da unidade extração de gás, e teve suas unidades invadidas e expulsas pelo atual governo Morales, e desfecho semelhante teve com relação ao Equador pelo governo de Rafael Correa que expulsou e não ressarciu uma empresa de engenharia brasileira Odebrecht que prestava serviços de engenharia locais, e ainda com relação á Venezuela, firmou-se compromisso de parceria com o governo Chaves para construção de refinaria em Pernambuco, e depois seu sucessor Nicolas Maduro declinou deixando a Petrobras bancando sozinha na construção da RNEST-PE.

    Conclusão;
    Pelos vários episódios passados com os demais países vizinhos da América do Sul já descritos, fica demonstrado que estes não costumam honrar seus compromissos para com outrem, com grande instabilidade política na região.
    Os governantes do país pós regime militar (1985) tem uma tradição de não concluir nenhuma obra de grande porte (PAC), e nem Angra–III a única grande obra inacabada desde 1985 não conseguiram operar.

    Em uma Relação Internacional, a China atualmente possui excesso de liquidez monetária, e escassez de matérias primas, e sabe, e quer emprestar o maior volume possível com o aval do Brasil, pois aqui, os governantes, independente dos partidos de plantão costumam honrar seus compromissos.

    O investimento chinês é bem vindo, porém a alternativa de envolver mais de um país, e ter que atravessar os Andes, não me parece ser a solução mais adequada no momento, e a alternativa doméstica Sinop-MT / Miritituba-PA (Na região central do Pará) com 990 km de ferrovia no momento é a solução mais simples, rápida, curta, econômica , além de transitar por uma região relativamente mais plana que a proposta anterior .

    As hidrovias seguidas das tubovias, continuam sendo a forma mais econômica de movimentar produtos, e principalmente na região Amazônica em que os rios são abundantes e os terrenos alagadiços.

    De qualquer forma, a participação da indústria de material ferroviário local é fundamental, o país padece da geração de empregos, pois além das carências locais ainda esta recebendo milhares de refugiados de outros países, e a fonte monetária com esta forma de farta distribuição de bolsas sem contrapartida da produção já se esgotou.

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